Aprender a descansar



Pés cansados. Mãos frias. Cabeça em água. Oito horas de trabalho depois, o corpo pede descanso. Atirar os sapatos. Procurar o sofá. Televisão ligada, telemóvel na mão. O início e o fim da noite está mais do que planeado, está determinado. Haverá tempo para ler, correr, passear e conversar mais tarde. Talvez amanhã, talvez terça-feira.
Nós, humanos, somos criaturas de hábitos, dos bons e dos maus. Somos capazes de organizar o dia de trabalho ao minuto, mesmo antes de começar. Escolhemos o que vestir, preparamos o pequeno-almoço do costume e seguimos o caminho de sempre. As oito horas seguintes são um sem fim de tarefas a concretizar, sítios onde ir, coisas a fazer. Ao fim do dia merecemos descanso.
O descanso é frequentemente usado como um sinónimo de inércia, de não fazer absolutamente nada e acreditar que nos vamos sentir bem a seguir. Eu gosto de estar confortável no sofá a ver uma série após um dia atarefado mas, na maioria das vezes, estar sentada a olhar para um ecrã é a última coisa que me apetece fazer. O hábito de chegar a casa e entrar automaticamente em modo preguiça com os olhos vidrados no feed do Facebook, não é sinónimo de descanso para mim.
Fala-se muito do minimalismo associado a coisas e objetos mas ser minimalista é sobretudo priorizar o nosso tempo e dar importância àquilo que é bom para nós, mesmo quando estamos a descansar. O meu tempo de lazer segue a máxima do corpo sã, mente sã. Vou nadar ao fim da tarde, leio ao início da noite. Passo a tarde a escrever, dedico a noite ao ioga. É um jogo de equilíbrio onde há sempre mais variáveis. Ouvir os meus discos preferidos, conversar, caminhar em ruas desertas, rever amigos, beber chá com limão, fazer panquecas à meia-noite.

Há quem diga que devíamos organizar o nosso lazer, eu acho que só precisamos de o aproveitar.